Desenvolvimentismo e impactos na Amazônia
Durante a segunda metade do século XX, a Amazônia foi cenário da implementação de projetos estatais voltados à integração e ao desenvolvimento econômico, principalmente durante os governos militares. Projetos como a construção da Rodovia Transamazônica e a implantação do Projeto Grande Carajás estão interligados pelo discurso do progresso, da ocupação territorial e da exploração dos recursos naturais da Amazônia, com foco no crescimento econômico do país.
A implementação desses projetos na Amazônia provocou profundas transformações no território, com a construção de hidrelétricas, a abertura de estradas, portos e ferrovias, além de uma ampla expansão das atividades de mineração e agropecuária. Essas transformações também geraram impactos significativos no meio ambiente, nas dinâmicas das populações que já habitavam o território e nas relações sociais da região. A construção da Rodovia Transamazônica teve início em 1970, durante o governo de Emílio Garrastazu Médici (1964–1985). Enquanto projeto estatal de integração territorial e ocupação da Amazônia, a estrada foi apresentada como símbolo de desenvolvimento, sustentada pelo discurso de integração das regiões Norte e Nordeste.
A construção da rodovia foi impulsionada por interesses econômicos ligados à exploração de riquezas minerais, à expansão da agropecuária e aos interesses fundiários sobre as terras da região, articulando-se com o incentivo à migração de populações nordestinas para a Amazônia. Slogans como “Integrar para não entregar” e “uma terra sem homens para homens sem terra” foram amplamente utilizados como propaganda para intensificar a ocupação da região, apresentando a Amazônia como solução para problemas econômicos e sociais do país.
Referências:
ALMEIDA Jr, José Maria Gonçalves de. (org) Carajás: desafio político, ecologia e desenvolvimento. São Paulo: Brasiliense/ CNPq, 1986.
ALMEIDA, José Jonas. A cidade de Marabá sob o impacto dos projetos governamentais. 2008. Dissertação (Mestrado em História Econômica) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.
Conheça os documentos originais preservados pelo arquivo histórico da Casa da Cultura.
Já o Projeto Grande Carajás, implementado no final da década de 1970, foi criado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e abrangeu uma extensa área de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados na região amazônica, atravessando os rios Xingu, Araguaia e Tocantins e englobando terras dos estados do Pará e do Maranhão. O projeto foi concebido para atuar em três grandes frentes integradas: projetos minero-metalúrgicos, projetos agropecuários e florestais e projetos de infraestrutura, como ferrovias, rodovias, portos e barragens.
Apesar de ambos os projetos terem impulsionado a circulação de capital e a inserção da região nos circuitos econômicos nacional e internacional, eles também provocaram profundos impactos socioambientais. Entre esses efeitos, destacam-se as alterações nas dinâmicas de vida dos povos indígenas, ribeirinhos e camponeses, além da degradação ambiental e do avanço do desmatamento.
As fontes reunidas nesta seção possibilitam a compreensão desse contexto amazônico marcado pela implementação de grandes projetos e por seus múltiplos impactos. A curadoria deste eixo dialoga diretamente com essas transformações, priorizando recortes de jornais que evidenciam disputas sociais e políticas influenciadas por esses empreendimentos. Além de materiais de diferentes períodos, a seção também reúne fotografias que permitem visualizar o contexto desses projetos em distintos momentos históricos.
Imagem: Capa do jornal Notícias de Marabá, 1971. Acervo do AHMD.

