Revista do Patrimônio Arqueológico de Marabá: uma viagem pela história que existe muito antes da cidade

O que havia em Marabá milhares de anos antes das ruas, dos bairros e das transformações que deram origem à cidade que conhecemos hoje?

A Revista do Patrimônio Arqueológico de Marabá, publicada em 2013, convida o leitor a descobrir uma história muito mais antiga e diversa do que se poderia imaginar. Produzida a partir do Programa de Educação Patrimonial desenvolvido pela Vale, por meio da ALPA, em parceria com a Fundação Casa da Cultura de Marabá, a publicação reúne informações sobre arqueologia, cultura, memória e patrimônio da região.

Mais do que apresentar objetos encontrados em escavações, a revista mostra como fragmentos de cerâmica, sítios arqueológicos, cavernas, abrigos e outros vestígios podem revelar modos de vida, deslocamentos, costumes e relações estabelecidas por diferentes povos ao longo de milhares de anos.

Uma história que começa muito antes de Marabá

Um dos aspectos mais fascinantes da publicação é a dimensão temporal dessa história. Pesquisas realizadas na Gruta do Gavião e na Serra das Andorinhas ajudaram a demonstrar que a presença humana na região remonta a milhares de anos. Na Gruta do Gavião, por exemplo, as pesquisas identificaram ocupações associadas a grupos nômades em diferentes períodos. Na Serra das Andorinhas, dezenas de cavernas e abrigos foram mapeados, vários deles contendo vestígios de ocupação humana.

Essas descobertas ajudam a mudar a maneira como enxergamos o território: a paisagem de Marabá e de seu entorno não é apenas cenário, mas também testemunho de diferentes sociedades que viveram, circularam e deixaram suas marcas na região.

O que uma pequena cerâmica pode contar?

Entre os temas abordados pela revista está a cultura material. Um simples fragmento de cerâmica, mesmo quebrado e aparentemente sem importância, pode guardar informações sobre quem o produziu, como foi utilizado e quais conhecimentos técnicos estavam envolvidos em sua fabricação.

Os pesquisadores analisam características como decoração, marcas de queima, desgaste e composição da pasta para buscar pistas sobre antigas formas de vida. Entre os materiais encontrados nos sítios pré-contato estudados na região estão fragmentos associados à tradição arqueológica Tupiguarani.

É justamente aí que a arqueologia ganha outra dimensão: cada fragmento pode ser uma peça de uma história que ainda está sendo reconstruída.

17 sítios arqueológicos revelando diferentes períodos

As pesquisas arqueológicas realizadas no entorno de Marabá a partir de 2010 identificaram e estudaram 17 sítios arqueológicos. Eles representam diferentes momentos da ocupação regional: sete sítios pré-contato, nove pós-contato e um sítio multicomponente.

A localização de grande parte desses sítios às margens do rio Tocantins também chama a atenção. A proximidade da água oferecia importantes recursos, como peixes e argila, ajudando a explicar a escolha desses locais por diferentes grupos.

A publicação também mostra que o patrimônio arqueológico não se limita a um passado remoto. Os vestígios históricos encontrados na região ajudam a compreender transformações ocorridas após o contato e ao longo dos processos que modificaram profundamente o território.

Patrimônio não é apenas aquilo que podemos tocar

Outro ponto importante da revista é a reflexão sobre patrimônio cultural. A publicação diferencia o patrimônio material — objetos, construções e outros elementos que podem ser fisicamente preservados — do patrimônio imaterial, que inclui conhecimentos, histórias, receitas, orações, ensinamentos e outras práticas transmitidas entre gerações.

Assim, preservar a história de Marabá significa também preservar as memórias e os conhecimentos que ajudam a construir a identidade de suas comunidades.

Arqueologia: descobrir, pesquisar e preservar

O leitor também acompanha, de forma acessível, o trabalho realizado pelos arqueólogos: desde a identificação dos sítios e análise das camadas do solo até a limpeza, seleção, estudo e armazenamento dos materiais encontrados.

Os resultados dessas pesquisas são destinados à reserva técnica da Fundação Casa da Cultura de Marabá e também podem retornar à sociedade por meio de ações de educação patrimonial.

A revista reforça ainda que preservar o patrimônio arqueológico é uma responsabilidade coletiva. Objetos encontrados não devem ser retirados, os sítios não devem ser danificados e possíveis descobertas devem ser comunicadas às instituições responsáveis.

Uma publicação para olhar Marabá com outros olhos

Ao reunir pesquisas arqueológicas e informações sobre cultura e patrimônio, a revista propõe uma mudança de perspectiva: a história de Marabá não começa com a formação da cidade. Existe uma longa trajetória de ocupação humana anterior, marcada pela diversidade de povos, modos de vida e relações com o território.

Para estudantes, professores, pesquisadores e para qualquer pessoa interessada em conhecer melhor a região, a publicação oferece uma oportunidade de descobrir histórias que muitas vezes permanecem escondidas no solo, nas cavernas, nos rios e nos fragmentos deixados por antigas sociedades.

Quer conhecer essas descobertas e entender como a arqueologia ajuda a reconstruir a história de Marabá?

Baixe gratuitamente a Revista do Patrimônio Arqueológico de Marabá e faça essa viagem por milhares de anos de ocupação humana na região.

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